Vida e despedida

Letra :  Daniel Marinho
Música :  Daniel Guimarães
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(Interpretada por Marcela Velon)


Versos são retratos
revelados no violão.
Com versos te converso
in memorian, gratidão.

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Teu silêncio fala,
ainda canta essa canção
você partiu no trem
Expresso Redenção.

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Nem a primavera
escapa à perda, a dor da flor.
Nem ninguém espera
o dom das horas,
esse favor.

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Vida e a despedida
dão as mãos na estação,
vão te acolher no trem
Expresso Redenção.

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Sentido imensidão
Nos trilhos, silêncio no porão

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(Instrumental)

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Vida e a despedida
dão as mãos na estação,
vão te acolher no trem
Expresso Redenção
Sentido imensidão
Nos trilhos, silêncio no porão.

Renúncia

Difícil é estar triste e não saber por que.
O inexplicável vazio, a angústia, a culpa cristã.
O vácuo calafrio, em meio à fartura,
acordar vira tortura no café da manhã.

Ao leite e ao pão, as dúvidas, as estórias infundadas.
A faca esfola a manteiga e desvale-se ferida.
Numa reflexão desesperada à procura de uma saída

Difícil é não acordar tão feliz quando é tudo o que quero.
Ainda que quando tudo a mim nada falta.
Engolir minhas culpas, meus arrependimentos,
sem se sentir culpado

Saber do pouco que falta para as cores em luzes de ribalta
e para o cheiro da brisa úmida, que me curam a miopia,
já cega, doente e abarrotada de complexas teorias.

E então, o meu desencantamento se perde,
some silencioso na madrugada
e solenemente indefeso.

A longa amargura, o vazio,  o crepúsculo de outrora
É agora doçura. É aurora.

É o alaranjado no horizonte, que já sobe e reina sobre a quaresmeira,
que sem fuga e já crescida e sem seu consentimento,
despe-se e veste-se florida sem precisar entender a si mesmo.
Só ouve e intui a voz intermitente da flora.

São os segredos mudos que nos despertam
do desasossego. Quando há a fuga de tudo que é agora.

Abandonar o carro no meio da corrida.
O maior controle é a renúncia.
Para aceitar o convite de namoro com a vida.

 

Daniel Marinho