Manual para cruzar geleiras na Patagônia

Por Daniel Marinho

*Originalmente publicado no site O Viajante

Já passava das 18h quando os motores da embarcação foram acionados. Numa latitude do planeta em que o sol, nessa época, só vai para cama pouco antes da meia-noite, os passageiros ainda empapuçavam o rosto de protetor solar, precavidos da “insolação noturna”. Não era um barco comum. Para adentrar o Brazo Rico do Lago Argentino – que margeia a face sul do Glaciar Perito Moreno – a embarcação há de cortar, vez por outra, pedaços de gelo desgarrados das pedras maiores que então, boiando, nos observavam de mais longe. Um cenário por si só inusitado; o mais próximo do que pude imaginar de algum “passeio” de Amyr Klink. Curioso, pergunto sobre temperatura da água: “dos grados Celsius… Lo suficiente como para morir de hipotermia en cuestión de minutos” afirmava o Comandante, antes de meu arrependimento.

A imponência daquela monstruosidade branca surpreendia. Subia a 70m acima da água, margeando-a por 5km e adentrava Cordilheira dos Andes afora. Invariavelmente, despedaçava-se nas beiradas, em estrondos graves e cinematográficos; em constante movimento, o penhasco avança e retrocede, há muito tempo, conforme as vaidades da estação do ano.

Do desembarque no píer, uma fila indiana seguiu pelos últimos resquícios da terra árida dos arredores de El Calafate, cidade-base da expedição. Gorros, óculos, ceroulas, casacos, cachecol, impermeáveis, luvas… faltava o mais indispensável: “los crampones”. Uma estrutura forte de ferro grudada à sola do sapato com extremidades pontiagudas afiadas para baixo e para frente para a aderência dos pés ao gelo. Em geleira, anda-se de “ferradura”. Sem elas, é patinação na certa.

Aos poucos, as passadas deixavam de arranhar a terra que agora se escondia sob um manto poroso. De pedra em pedra, floco em floco, começa clarear tudo por completo. Os pés afundavam cada vez mais, exigindo mais do corpo para lançar-se a um deserto branco, infinito até onde a vista alcança. Aquele gigante precipício branco avistado do barco, aquele despenhadeiro inóspito de gelo jazia, enfim, sob os pés.

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Andar já não seria como antes. Crocante, o chão falava a cada pegada numa conexão intensa com uma terra que já não mais existia e dava vez ao estado mais bruto da água. Sólida, ela é que leva adiante, empurrando as travas dos crampones, me balançando como um pinguim. Como o destino não se revelava, em meio à amplidão nívea do jardim de esculturas de gelo, sem referências espaciais evidentes, restava confiar na fila indiana. A fila de babel, onde os mais diferentes idiomas se compreendiam, já que encanto – e o espanto – são linguagens universais.

Subindo e descendo as colinas de gelo por mais de uma hora, o olhar ia sendo treinado a enxergar o que até então fora menos óbvio. O derretimento dos picos em pequenas duchas de verão, os poços de água límpida brotando do fundo da Terra, as fendas que sob o reflexo da luz revelavam-se em um azul anil da cor do céu daquele dia, agora espelhado na sensação de caminhar sobre cristais no mundo de Guliver. Uma experiência ficcional, não fosse o frio do gelo que desperta mais do que qualquer beliscão.

No desfecho, um convite. Em uma mesa improvisada sobre a geleira com vista para o lago, alfajores de dulce de leche alternavam-se com doses de whisky numa festa poliglota. Caubói? Que nada! Whisky resfriado por pedrinhas de gelo, claro, catadas do chão. Era a redenção derradeira daquela noite ensolarada. Sem compromisso algum com a sensatez, havíamos acabado de conquistar a Era do Gelo.

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Aviso aos Navegantes
COMO CHEGAR

O Glaciar Perito Moreno é apenas mais uma das 356 geleiras do Parque Nacional Los Glaciares, na Patagônia Argentina. Dado o fácil acesso – e sua beleza também, claro – terminou por sagrar-se como o glaciar mais famoso da região. Fica a 78 km da cidade de El Calafate, que dispõe de aeroporto e rodoviária.

Há voos diários de Buenos Aires – pouco mais de três horas de percurso – que custam, em média, US$ 350 (tarifa cheia normal, sem promoção). Um bilhete de múltiplos destinos, no entanto, que conjugue a partida de uma cidade brasileira a desembarques em Buenos Aires, El Calafate – e quem sabe outra cidade da Patagônia – sairá, sem dúvida, um custo-benefício muito melhor e, todos os trechos, mais em conta.

Para chegar ao glaciar a partir de El Calafate é preciso pegar a estrada. É distante, cerca de uma hora e meia, mas o trajeto, entre as áreas desérticas e as margens do Lago Argentino é belíssimo e apaziguador, muito incomum às paisagens brasileiras. Pode-se chegar ao parque de carro, taxi ou por meio de ônibus dos tours organizados pelas agências de El Calafate.

QUANDO IR

Faz frio durante o ano inteiro, mas no inverno o negócio realmente complica e não fica muito amistoso para um brasileiro. De novembro a março é a época ideal, não só pela temperatura, mas, sobretudo pelas longas horas de sol do dia. Nessa época do ano a temperatura à noite em El Calafate, fica, em média, de 0 a 10 graus e ao longo do dia pode chegar a picos de até 28 graus graças à aridez da região.

ONDE FICAR

Ao longo da estrada RP 11, que liga o parque à cidade, há alguns campings e dentro do parque, um único hotel. A grande maioria dos viajantes, porém, prefere ficar na própria El Calafate, já que as idas ao parque terminam por tomar quase o dia todo. El Calafate é, aliás, uma vila minúscula, mas um tanto charmosa. Com restaurantes, creperias, pequenos museus, cafés e um pub/livraria bacaninha. Há até um pequeno cassino na cidade, na rua principal, onde, aliás, concentram-se quase todas atrações. Ou seja, apesar de turística, a cidade é uma atração à parte que oferece lá seus encantos.

QUANTO CUSTA

Os tours de aventura em cidades como El Calafate e outras da região da Patagônia são caros e raríssimos desavisados, ou muito experientes, encaram um glaciar sozinho. Não é como uma trilha na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. O trekking guiado no Glaciar Perito Moreno é atualmente monopolizado pela agência Hielo e Aventura que faz dois tours diferentes: o menor, de duas horas de caminhada sobre o gelo (Minitrekking – 800 pesos, com o traslado) e o maior, de uma caminhada de três horas e meia (Big Ice – 1200 pesos com o traslado).

É caro, mas quanto se gasta numa viagem aos Estados Unidos ou Europa? Quanto se gasta para hospedar-se numa pousada num balneário brasileiro em alta temporada? Desconhecida de muitos brasileiros, a Patagônia reúne paisagens que não deixam nada a dever aos Alpes ou às montanhas do Canadá (e fica aqui do lado). Além do que, los pesitos doem bem menos no bolso do que dólar, euro ou libra esterlina!

Istambul: quando Ocidente e Oriente se esbarram no caminho

Por Daniel Marinho

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Já passava das sete da noite e o sol ainda queimava a pele. O verão turco é tão insensível quanto o carioca, mas como é muito seco, não há nossas típicas tempestades tropicais. Pelo contrário, o sol vara o dia seccionando um céu árido azul, sem topar com nuvem pelo caminho. E é o primeiro a chegar e o último a sair.

O restaurante no terraço panorâmico de um hotel qualquer de Sultanahmet – região mais antiga da cidade, erguida à época em que Istambul ainda atendia por Constantinopla  – estava vazio. Vazio, acolhia a maresia do Mediterrâneo, agora espremida nos 32 quilômetros do Estreito de Bósforo; bem ali, diante dos olhos, escorando a Europa e a Ásia, cada qual em um lado da margem.

Ao anoitecer, sobras de vento a tocarão ao Mar Negro, estação terminal. Dela e de um sem número de embarcações que mais de mil anos atrás já faziam idêntico percurso para do Mediterrâneo chegar a região do Cáucaso (e, por extensão, aos  chineses, mongóis, etc )  e vice-versa.

Não é pouca a importância estratégica e histórica desse lugar, inclusive para nós brasileiros. Foi às margens do Bósforo que em 29 de maio de 1453, a Terra assistiu a tomada da então capital do Império Romano do Oriente pelos turco-otomanos. A Queda de Constantinopla derrubava a ultima porta dos mercadores europeus ao Oriente e, junto a ela, a Idade Média. Com  Mediterrâneo Oriental dominado pelo Islã – inclusive as cercanias terrestres -, os europeus teriam de buscar rotas marítimas alternativas para alcançar às especiarias indianas. De plana, a Terra passaria a redonda e o resto é história.

História, aliás, em Istambul, é comódite. Em alta, permanentemente. Ainda que enamorado pelo Turkish Ravióli à mesa – uma massa recheada de carne de carneiro, banhada em Yogurt e muita pimenta anatoliana – é a indiferença dos restos da Muralha de Constantinopla que me tomam a atenção. Construída ao longo dos séculos IV e V, blocos pesados de calcário moldaram uma parede interna de estrutura sólida de 5 metros de espessura e 12 de altura que abraçaram a cidade por inteira , em círculo, por mais de mil anos. Em grande parte, devo a essa fortaleza de pedra a composição que daqui de cima se espalha entre kebabs, rakis e doces de pistache.

A Hagia Sophia com sua cúpula gigantesca, epítome da arquitetura bizantina. Erguida por Justiniano em 537, fora a maior catedral cristã do mundo ao longo do Primeiro Milênio. Convertida em mesquita pelo sultanato no século XV é hoje é um ‘templo-sincrético’, cujas paredes internas ostentam antigas pinturas de Maomé, ao lado de imagens de Jesus Cristo, descascadas pela tolerância religiosa do tempo e pela maturidade dos povos.

A vista dos seis minaretes da Mesquita Azul que resistiram incólumes a terremotos, ao fervor da pólvora, ao calor do fogo e à fúria dos canhões desde sua construção, por ordem do Sultão Ahmet I, até hoje.

O megalomaníaco Palácio Topkapi, que se esparrama em ostentação na colina à frente. É lá que, até poucos séculos atrás, o Sultão Otomano levava a vida dura que lhe deu fama, com centenas de concubinas particulares. “Inquilinas” de um harém que até hoje ergue-se orgulhoso de pé, aberto aos visitantes. Naturalmente, sem as moças de outrora.

Com goles de um vinho da capadócia e o fumo de pêssego adocicado de um narquilhe turco, essa urbes arqueológica fica ainda mais inusitada; desajuizada pelo despertar sensorial e perspectivas induzidas pelo álcool, que aqui, ao contrário de outros países muçulmanos, é hábito liberado e faustosamente praticado.

Fundada a há exatos 2.679 anos, Istambul também já foi Bizâncio e já foi  Nova Roma. Istambul já foi persa, já foi otomana. Já foi pagã, já foi cristã, já foi muçulmana. Já foi já foi grega e já foi romana.

Hoje é turca. E laica. 13 milhões de habitantes na única cidade do mundo com os pés em dois continentes. Na prática, o verdadeiro Meridiano de Greenwich. A interseção, e fronteira, de dois mundos diversos – politicamente, socialmente e filosoficamente; nos modos de ver, entender, crer e assimilar a vida: o Ocidente e o Oriente.

Mas já é noite. Um grupo de mulheres de burca negra caminha em direção ao hotel. Certamente são turistas provenientes de algum país islâmico mais linha dura.  Um vozerio soturno árabe começa a espalhar-se  por toda a cidade. Ressoa em cada beco. Sinto um misto de estranheza e medo. Com o ouvido já ‘educado’ pelos telejornais, associo inconscientemente a algum noticiário tenso do Oriente Médio. As vozes, porém, saem dos auto-falantes distribuídos por Sultanahmet para  chamar os muçulmanos à oração. Nada mais. É a quinta e última reza do dia.

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Do outro lado de meu preconceito ocidental, luzes ofuscam os modernos arranha-céus de uma cidade já muito bem iluminada. Turcas de vestidinho colorido, produzidas para a night, uma das mais agitadas entre as metrópoles europeias, sacam dinheiro num caixa eletrônico no meio da rua. Não há policiais a essa hora, mas todos na fila estão a vontade, inclusive duas senhoras de idade. Há uma turma de estudantes de cerveja na mão. Um deles, de bermuda estampada e sandália havaiana, brinca com as crianças ao lado de um mostruário dourado de badulaques da região.

Istambul não é Ocidente nem Oriente. É um entreposto singular e histórico da diversidade dos povos.  Um lugar no meio do caminho.

Daniel Marinho
Originalmente publicado no site Curta Crônicas

Rosebud! A ingênua arte do Skibunda na Cordilheira dos Andes


Já é noite. As luzes da cabine, apagadas, cederam ao banho de lua cheia quase à porta da Troposfera. O Brasil ficou para traz em algum lugar do passado e na busca pelo Pacífico o que geralmente é um punhado de névoa escura entrecortada por pontículos iluminados do solo, dá vez a uma cadeia montanhosa que de tão megalômana é suspeita, e assustadora. É que ela está perto demais para quem está a dez quilômetros de altura e, juro, o avião vai tropeçar.

Não estou de todo errado. Sobre os abissais blocos de gelo eterno, ao lado – sim ao lado – do Pico do Aconcágua, a já anunciada e temida turbulência chega e confesso: quando o avião começa a pular amarelinha em cima da Cordilheira dos Andes naquela escura madrugada de terça-feira não haveria poesia de neve sob o luar que pudesse me aplacar os brios.

O Chile não é para desavisados. Uma “ilha nervosa” dentro do próprio continente: ao Norte,  o deserto mais seco do mundo; a Oeste, o maior oceano do mundo; a Leste, a maior cordilheira do mundo e ao Sul, ele próprio: o fim do mundo! Aqui tem também terremoto, maremoto, tsunami, vulcão e nevasca; não lembra o litoral baiano… É, por assim, dizer um Japão dentro da América do Sul.

Exagero? Mal aterrisso no Aeroporto Internacional de Santiago e já  me deparo com conselhos sobre procedimentos diante de tremores de terra. Na volta seriam as cinzas das erupções vulcânicas que ao tomarem o espaço aéreo vizinho (os chilenos fazem chacota de suas cinzas, dado sentido do vento, nunca afetarem a eles, mas aos céus argentinos), por muito pouco, não me alongam a estadia hospedando-me em cadeiras de aeroporto.

Mas como quando Deus tira os dentes alarga a goela, por uma ironia da ventura, é justamente boa parte dessas desavenças da natureza que atraem as pessoas a esse filete de terra, locatário do maior índice de desenvolvimento humano (IDH) do continente.

E é em meio às paisagens marcianas do Atacama e aos vulcões assanhados do Sul,  que aquelas rajadas de vento, que tanto sacodem os aviões lá em cima, caem sobre as montanhas de até cinco mil metros que circundam Santiago, sob a forma de uns flocos de espumas brancas e congeladas.

Santiago é, assim, a única capital da América do Sul sob a graça de grandes estações de Ski e, muita neve… Próximas do centro da cidade – a cerca de 40Km –  suas pistas estão entre as melhores do mundo. O que significa que numa ida a terra de Neruda, além de encher a cara de pisco sour (o destilado mais delicioso dessa era) numa cidade cuja vida cultural e noturna nada fica a dever a uma capital européia, ou de dar uma escapadela às famosas vinícolas chilenas, você – ser tropical de chinelo e camiseta – ainda assegura, no mínimo, o seu Skibunda na montanha de gelo!

No dia seguinte, rumo à Cordilheira! A estrada que segue de Santiago para os “Três Valles” – onde estão situadas as principais estações – é tranqüila até determinado momento, quando o caminho lembra que precisa subir mais três mil metros de altura em pouco mais de 20 quilômetros de estrada. De lá, como é de se supor, de estrada a pista vira uma escada, indo e vindo em ladeiras íngremes e curvas de 180 graus, que costuram não só uma paisagem incomum como também o seu estômago – de enjôo e de felicidade.

Pouco a pouco, porém, os degraus suavizam. É quando começam a aderir ao vidro da janela, simulando uma garoa de montanha, pequenos cristais de água solidificados. Em pouco tempo, eles vão tomando uma forma mais espessa e, de translúcidos que eram, ganham um tom níveo. A vegetação, cada vez mais rara e seca, passa a dispor também de novos contornos, como que de uma cobertura de bolo.

Daí para frente a estrada nunca mais é a mesma e toda a paisagem se transforma em cor de clara de ovo, confundindo-se com as nuvens, até mesmo por estar mais alta que elas. E então, de repente, você já não está mais seco e ainda que um guarda-chuva não resolvesse, plumosos cristais brancos em queda livre lhe sujarão inadivertidamente o rosto de branco. Você não vai nem ligar…

É lá, na fronteira entre o Chile e Argentina, relativamente próximo ao Aconcágua, que estão as principais moradas do snowboarder e do ski chileno: El Colorado, La Parva, Valle Nevado e, um pouco mais afastado, Portillo. No Valle Nevado está a mais alta e maior das estações. A temporada de inverno já encerrara e as pistas de ski estavam fechadas, mas ainda havia muita, muita neve pululando nos “cerros”.

O que restava era uma ladeira alta, branca e relativamente fofa no alto de um morro, entrecortada pelas edificações modernas de um resort de luxo hibernal. Era lá que dezenas de pessoas escorregavam sentadas em uma espécie de trenó sem tração animal, ladeira abaixo.

E não pense que era brincadeira de criança. Ao contrário de nossas dunas tropicais, na neve o skibunda tem muito menos atrito e ganha uma velocidade resolutamente maior. Além do que não há praia tropical para encerrar a jornada, nem freio algum, senão seu próprio corpo, a cargo de dar uma cutucada na inércia.

Mas sua criança melequenta interior vai até estar lá, é certo.  E creia, sob uma nevasca de céu turvo, de nuvem carregada e sem horizonte, você vai temer essa brincadeira ingênua. Vai temer e desejá-la. E vai deslizar Cordilheira dos Andes abaixo em velocidade e susto rumo às aspirações aventureiras e fantásticas da sua infância.

E tal como em “Cidadão Kane”, vai reencontrar-se literalmente com o “Rosebud” particular que há em cada um, sob a mesma forma daquele trenó singelo do filme – e tudo o que ele representa -, feliz por escorregar no monte de marshmallow, feliz por brincar de lobo da neve, o Senhor das montanhas do Sul.

Daniel Marinho

Estações de Ski próximas a Santiago:

Valle Nevado
http://www.vallenevado.com/pt/

La Parva
http://www.laparva.cl

El Colorado
http://www.elcolorado.cl/

Portillo
http://www.skiportillo.cl/portugues/

Como chegar:

De carro, translado dos Ski Resorts ou micronibus de agências de turismo.

* Ski Total (agência)   http://www.skitotal.cl/
* Turis Tour  (agência)  http://www.turistour.com 

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O deserto e a roda

Corto estradas do deserto.
É a sede… a aridez que periga.
Me escoro no incerto,
no vácuo sonoro do silêncio,
nos retratos
de uma natureza despida.

Cruzo dimensões tortas.
Abro janelas no tempo.
O céu é a última porta.
Só o horizonte
cala os uivos de vento.

Tudo é tela vazia.
Tudo é o que anda comigo.
Tudo é o motivo da ida.
Tudo é pra ser preenchido.

Não há derrota, vitória, empate;
os deuses estão na torcida.
Não há sombra num Calafate
e a noite quase se dá
por esquecida.

São frutos de matéria morta
de uma natureza vencida.
Não importa,
ainda assim,
fecundaram minha vida.

Tudo é tela vazia.
Tudo é o que anda comigo.
Tudo é o motivo da ida.
Tudo é pra ser preenchido.

A Luz é insônia;
o mundo, rasteiro.
Miragens de piscina.
Desertos da Patagônia.
Não há mais roteiro,
nem Argentina

É o Tao.
O pulso timoneiro.
O roteiro que a vida ensina.

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Daniel Marinho