O deserto e a roda

Corto estradas do deserto.
É a sede… a aridez que periga.
Me escoro no incerto,
no vácuo sonoro do silêncio,
nos retratos
de uma natureza despida.

Cruzo dimensões tortas.
Abro janelas no tempo.
O céu é a última porta.
Só o horizonte
cala os uivos de vento.

Tudo é tela vazia.
Tudo é o que anda comigo.
Tudo é o motivo da ida.
Tudo é pra ser preenchido.

Não há derrota, vitória, empate;
os deuses estão na torcida.
Não há sombra num Calafate
e a noite quase se dá
por esquecida.

São frutos de matéria morta
de uma natureza vencida.
Não importa,
ainda assim,
fecundaram minha vida.

Tudo é tela vazia.
Tudo é o que anda comigo.
Tudo é o motivo da ida.
Tudo é pra ser preenchido.

A Luz é insônia;
o mundo, rasteiro.
Miragens de piscina.
Desertos da Patagônia.
Não há mais roteiro,
nem Argentina

É o Tao.
O pulso timoneiro.
O roteiro que a vida ensina.

..

Daniel Marinho



Uma consideração sobre “O deserto e a roda”

  1. A Vida ensina o roteiro, né, amor?!
    E que quantos roteiros belos ela nos ensina e preenche as nossas idas! 😉
    Qual a próxima tela que vamos pintar?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s