O velho, o garoto e o mar

 

Ou o que dizer de um ancião cambalhoteando à beira da praia.

O garoto é o mar,

bebendo a sede das ondas,
batendo palmas na areia,

procurando curvas de sereia
no mais rareado ar.

.

O garoto é um velho
na fase derradeira
com uma vara de pescar.

.

Um velho, uma criança.
Mais do que uma lembrança
de tempos atrás
quando muito
nunca era demais

.

Na distração sem esforço.
Nas arruaças do tempo de moço.
Mas sem bananeiras…
Já não poderá.

.

O velho, o garoto e o mar.
Dentro da mesma lente
mas numa vida somente.
O garoto, de partida.
O velho, de despedida

.

Talhando novos traços.
Novas margens.
O entorno de gratas miragens.

.

O velho nem lembra da idade
se esqueceu de cansar.
Tá de sacanagem:
ele nada com as pernas
viradas pro ar.

 

Daniel Marinho

4 comentários em “O velho, o garoto e o mar”

  1. Vem cá, Dorian, você é o ‘garoto’ desse velho aeh? Nossa, eu poderia comentar todos os poemas que vc já escreveu aqui. Que tal iniciarmos uma parceria? Você escreve e eu te ‘descortino’ através das palavras sujas desta minha mente ociosa. Next, please!

  2. Nossa, Dani…
    Eu já conhecia seu talento de jornalista e de poeta.
    No entanto, suas palavras aqui expostas, tanto em poesia quanto em prosa… Nossa!
    Que presente para nós leitores!
    Já aguardo os próximos!
    Parabéns, meu amigo querido!

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